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Cosems debate desabastecimento do HGE em audiência pública na ALE

Terça-feira, 12 de setembro de 2017

Mary Wanderley

A secretária executiva do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Alagoas (Cosems), Sylvana Medeiros, que representou a presidente da entidade, Izabelle Pereira, em audiência pública na Assembleia Legislativa, traçou a radiografia da Saúde no Estado durante discussão sobre o desabastecimento de medicamentos e outros insumos básicos do Hospital Geral do Estado (HGE), que tem sido pauta da mídia local e nacional. O debate teve como propositor o deputado estadual Rodrigo Cunha.

Sylvana enfatizou o perfil do HGE como hospital público de referência e de ensino para a formação de profissionais da área de Alagoas, além de ser porta de entrada de urgência e emergência nas especialidades de Clínica Médica, Pediatria, Traumatologia, Ortopedia, Neurologia, Cardiologia, Cirurgia e outras.

De acordo com ela, o hospital oferta uma complexidade de volume de serviços que o torna uma unidade gigante de atendimento ao público que requer planejamento de operacionalização e principalmente celeridade no cuidado com a vida com foco no tempo-resposta adequado.

Sylvana salientou que nesta fase crítica do HGE, os secretários de Saúde, como parceiros da instituição, se mobilizaram e enviaram insumos para a unidade hospitalar. Segundo ela, no ano passado os atrasos nos pagamentos dos programas de assistência do Estado para os municípios e hospitais fez com que houvesse uma maior demanda para o HGE.

"A suspensão do pagamento aos municípios dos recursos da atenção básica também pelo Estado causa dificuldades para os gestores que já vivenciam  estrangulamento na capacidade de financiamento do sistema de saúde, contribuindo também para aumentar a demanda de urgência", reforçou a secretária executiva. A representante do Cosems ressaltou que o planejamento do hospital não passa apenas pelo abastecimento de medicamentos e dos insumos, mas pelo dimensionamento adequado e qualificação dos recursos humanos.

Sylvana Medeiros defendeu a descentralização e regionalização dos serviços assistenciais prestados aos usuários. A gerente geral do HGE, Marta Mesquita afirmou que está há três semanas à frente do cargo mas garantiu que fará um trabalho que intitulou de choque de Gestão administrativa e hospitalar. Marta explicou que está se debruçando na realidade de todos os setores do HGE e, em parceria com a Sesau, dará resposta aos processos de compras de medicamentos, insumos e correlatos.

"É difícil planejar a compra sem traçar o perfil da instituição e sem definição do número de leitos". Marta disse ainda que até a próxima sexta-feira (15) deve entregar ao governador Renan Filho o diagnóstico da instituição para ampliação de 120 leitos para outros hospitais que darão retaguarda ao HGE (que tem 275 leitos oficiais e funciona com 400 pessoas internadas por dia). Outra providência que está sendo tomada, segundo ela, diz respeito aos processos de abastecimento da unidade para 90 dias; outro para seis meses e um para 2018.

Para regular o processo de compra, Marta Mesquita disse que será elaborado o Manual de Padronização de Medicamentos com 800 itens. O deputado Rodrigo Cunha intermediou a discussão e reforçou a necessidade da defesa coletiva da causa ? não apenas do Parlamento com a função fiscalizatória - mas dos demais atores da sociedade que devem se envolver com a questão.

O presidente do Conselho Estadual de Saúde (CES), Jesonias da Silva, afirmou que 70% do atendimento são de usuários de Maceió, da Atenção Básica e Média Complexidade. "O momento é de dividir responsabilidade e esta Casa tem obrigação de dar resposta à sociedade. Vale destacar ainda que a licitação amordaça os municípios pela dificuldade na execução das compras ", afirmou.

A audiência pública contou ainda com a participação de conselheiros e dirigentes de Associações de Fornecedores; de Crianças com Microcefalia e entidades voltadas à defesa da saúde pública em Alagoas. A discussão teve a participação também dos deputados Isnaldo Bulhões, Leo Loureiro, Inácio Loiola, Bruno Toledo e Ronaldo Medeiros. Vale ressaltar que o HGE atendeu 114.926 pacientes de janeiro a julho de 2016 e no mesmo período deste ano (até agosto) foram 97.675, apresentando uma redução de 15% no volume de atendimento, creditada possivelmente ao funcionamento das Unidades de Pronto Atendimento de (Upas) de Maceió.

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