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Cosems/AL discute doenças cardiovasculares em audiência pública na ALE

Segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Especialistas debatem a prevenção como estratégia para evitar o óbito, que tem sido a primeira causa no Brasil

Mary Wanderley

Os problemas do coração que representam 43% dos óbitos do mundo, sendo a 1ª causa de morte no Brasil, foram discutidos na audiência pública da Assembleia Legislativa de Alagoas nesta segunda-feira (25) por especialistas e representantes de entidades preocupadas com a causa, a exemplo do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Alagoas (Cosems), Secretarias de Estado da Saúde (Sesau), Hospital do Coração (HCOR) e Fundação Cordial. A sessão teve como propositor o deputado estadual Rodrigo Cunha.

O presidente do Hospital do Coração e da Fundação Cardial, Ricardo César Cavalcante, traçou o panorama da situação no Estado e alertou as autoridades competentes para a prevenção do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), uma vez que no período de 2010 a 2015 foram diagnosticados em Alagoas 3.700 infartos e registrados apenas 11 procedimentos nos sistemas de informação.  De acordo com ele, se o paciente for tratado ao sentir os primeiros sintomas, poderá reduzir completamente o risco do óbito ou qualquer sequela.

"Há solução já que o procedimento é simples e pode ser feito nos primeiros 10 a 15 minutos com o uso de um cateter para desobstruir a área afetada e proporcionar o retorno da circulação do sangue", destacou Ricardo César, advertindo que o Brasil será em 2040 o campeão mundial de morte cardiovascular. De acordo com ele os prejuízos de uma pessoa infartada são extensivos à família, uma vez que o indivíduo não terá mais como trabalhar porque não poderá mais fazer esforço físico.

O especialista ressalta que a morte por IAM na rede privada em 2004 atingia o indivíduo com a média de 68 anos de idade e na rede pública com 59, ou seja, o paciente dito do SUS era acometido com quase uma década a menos de vida. "Quando fomos chamados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) para assumirmos a linha de cuidado do IAM do Hospital Geral do Estado, criamos o Projeto de Angioplastia Primária e implantamos o serviço de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista e trouxemos para o Estado o tele-eletrocardiograma", explicou.

Segundo ele, os números ainda não são os ideais, mas o comparativo aponta que a mortalidade por IAM em Alagoas em 2014 era de 19% e em 2017 caiu para 9,6%. "Doamos há dois anos dois desfibriladores e treinamos 24 bombeiros para atuarem na orla de Maceió e apelo neste momento ao Comando do Corpo de Bombeiros para que faça uso dos equipamentos e treine a população para evitar mortes, por meio do choque salvador" adverte Ricardo César.

Ele lembra a importância das brigadas de paradas cardíacas, considerando que de 800 a 1000 mil pessoas morrem de paradas cardíacas que poderiam ter sido evitadas se recepcionistas de hotel e a população, por exemplo, fossem devidamente treinadas. A vice-presidente regional do Cosems/AL, representante da 3ª Região de Saúde e gestora de Santana do Mundaú, Paula Cavalcante Gomes, salientou o papel da atenção básica como ordenadora das redes de atenção à saúde e na redução dos fatores de risco para as doenças cardiovasculares.

A representante do Cosems ressaltou que o setor precisa de um olhar diferenciado, já que hoje enfrenta o problema do sub-financiamento crônico nesta área, pois há 14 anos não há aumento de recursos ministeriais. "A saúde é dividida em redes e a Atenção Básica é a porta de entrada do SUS, logo somente com o empoderamento dela será possível avançar nas ações de prevenção. Preocupo-me com discursos perigosos de que o problema da saúde não está no financiamento, mas na má gestão, quando este problema não está na ponta e sim em âmbito muito maior".

O representante da Sesau, José Medeiros, ressaltou que a hipertensão e o diabetes são patologias de alta complexidade e têm que ser cuidadas nos municípios, mas o desfinanciamento do SUS, como ele preferiu chamar, estaria inviabilizando o processo. "Um comprimido de captopril custa R$ 0,14 e pela falta dele o indivíduo piora e o governo acaba gastando R$ 80 mil em uma cirurgia cardíaca", comparou.

O deputado Rodrigo Cunha afirmou que o Setembro Vermelho deve ser incorporado ao calendário de Alagoas, já que o dia 29 deste mês é data mundial comemorativa do Coração, pela relevância do assunto. "Reafirmo o compromisso de, junto com os demais parlamentares, sermos articuladores para aprofundarmos esta discussão", concluiu.

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