
O Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de
Alagoas (Cosems-AL) participou, nesta quarta-feira (16), em São Paulo (SP), do
Seminário Nacional do Projeto PROADI-SUS Saúde Redes 2026. O encontro reuniu
gestores e técnicos de diferentes regiões do país para compartilhar
experiências, resultados e aprendizados desenvolvidos ao longo do projeto, além
de promover o debate sobre estratégias para o fortalecimento da regionalização,
da governança e da integralidade do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS). A
representação alagoana contou com o presidente do Cosems-AL e vice-presidente
do Conasems, Rodrigo Buarque; a apoiadora técnica do Cosems-AL e apoiadora
regional dos municípios da 8ª Região de Saúde, Kathleen Moura; e as secretárias
municipais de Saúde Zoé Duarte, de Palmeira dos Índios; Keli Cruz, de Minador
do Negrão; Syntia Emanuela, de Cacimbinhas; Jenise Melo, de Belém; e Andréia
Costa, de Maribondo.
A agenda do seminário contou com debates sobre
“Regionalização no SUS: estratégias para o fortalecimento da governança e da
integralidade do cuidado em rede”, além do Café com Experiência – Mostra
Regional, espaço destinado à apresentação de iniciativas desenvolvidas pelos
territórios participantes. Durante a tarde, os participantes também integraram
Estações Temáticas voltadas ao aprofundamento de questões relacionadas ao
projeto e à organização das Redes de Atenção à Saúde.
Entre as experiências apresentadas por Alagoas
esteve a iniciativa da 8ª Região de Saúde, intitulada “Estratificação de risco
e organização do cuidado de crianças e adolescentes neurodivergentes”. Desenvolvida
pelos municípios de Belém, Cacimbinhas, Maribondo, Minador do Negrão, Tanque
D’Arca, Igaci, Estrela de Alagoas e Palmeira dos Índios, a estratégia surgiu a
partir de uma necessidade identificada pelos próprios municípios: organizar o
cuidado de crianças e adolescentes neurodivergentes e qualificar o acesso aos
serviços de saúde.
A experiência envolveu a elaboração de um protocolo
de estratificação de risco, construção de instrumentos para identificação e
acompanhamento dos usuários, capacitação das equipes, definição de indicadores
e organização dos fluxos de cuidado. Na etapa de execução, os municípios
realizaram levantamento nominal das crianças e adolescentes e aplicaram a
estratificação de risco, permitindo uma visão regional da demanda e das
necessidades de acompanhamento.
Um dos resultados apresentados durante o seminário
foi a redução dos encaminhamentos para serviços especializados. Antes da
implantação da estratégia, 100% dos casos eram encaminhados; após a aplicação
da estratificação, o percentual passou para 50%, representando uma redução de
50% nos encaminhamentos. A mudança contribuiu para uma utilização mais
organizada da Rede de Atenção à Saúde e para o fortalecimento da
responsabilidade compartilhada entre os diferentes pontos de cuidado.
Para Rodrigo Buarque, a experiência reforça o papel
da regionalização na construção de respostas articuladas para as necessidades
identificadas nos territórios. “A regionalização ganha força quando os
municípios conseguem olhar para uma necessidade concreta da população e, de
forma integrada, construir respostas que organizem o cuidado e qualifiquem o
acesso. Essa experiência da 8ª Região mostra a capacidade dos territórios de
produzir soluções e fortalecer, na prática, a organização regional do SUS”,
afirmou.