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Cosems participa de discussão sobre Saúde Mental Infantojuvenil

Sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Evento reúne até a tarde desta sexta-feira profissionais da Saúde e especialistas no assunto

Mary Wanderley

A presidente da 9ª Região de Saúde e titular da pasta  de Dois Riachos, Edjária Camilo, representou o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Alagoas (Cosems) no II Encontro de Saúde Mental Infantojuvenil ? Tecendo a Rede para Garantir Direitos ? que acontece até à tarde desta sexta-feira (24) no Hotel Hitz Suítes na Cruz das Almas. Ela destacou a angústia dos gestores municipais em fazer gestão com baixo financiamento, apesar da criatividade e empenho dos parceiros e colaboradores em fazer mais com menos recursos financeiros.

Segundo ela, apesar de o SUS ser referência para o mundo, há dificuldades de financiamento - não apenas no que se refere à Saúde Mental - desvio e falta de compromisso dos legisladores que dificultam a ampliação da rede de atendimento. "Dois Riachos não tem referência em Saúde Mental e Santana do Ipanema não tem mais condições de absorver a demanda da população. Abrir serviço novo gera despesa e nosso atendimento psicológico e psiquiátrico é feito por meio do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf)", afirmou Edjária, acrescentando a necessidade de o Estado avançar em políticas públicas, sobretudo no eixo de Saúde Mental.

A secretária executiva do Cosems, Sylvana Medeiros, reforçou que os atores sociais que defendem a causa do SUS têm muito a conquistar e se preocupar com o exercício da cidadania para garantir o financiamento do setor, considerando o congelamento de recursos por 20 anos para políticas sociais. "Que no próximo ano seja discutida a política de saúde nas eleições com foco na coletividade e não para trazer benesse para os legisladores. Os usuários pagam impostos e precisam ser respeitados na garantia de seus direitos", enfatizou.

O superintendente da Atenção à Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), José Medeiros, afirmou que pelo menos 10% da população sofre de algum tipo de transtorno mental. "A vitória da desospitalização dos pacientes ainda não está consagrada. Há um embate com alguns empresários do setor que ganhavam dinheiro com pacientes psiquiátricos e algumas clínicas tinham em média 400 morando nelas. Ainda há 140 no Miguel Couto, Ulisses e Portugal Ramalho. Já temos clínicas terapêuticas, mas estes pacientes não se enquadram nelas. O Estado vai discutir como fazer e o Portugal Ramalho, por exemplo, precisa deixar de ser psiquiátrico para ser hospital clínica com 24 leitos ainda insuficientes para atender os 140".

Uma das alternativas tem sido o encaminhamento de pacientes psiquiátricos para os leitos dos hospitais gerais como tem feito o Hospital Dagoberto Omena (Murici) e o Ib Gato de Rio Largo. "Precisamos ampliar a oferta de leitos de clínica para pacientes psiquiátricos em outros municípios", sugeriu Medeiros, acrescentando que o Estado tem 51 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), mas no que diz respeito ao público infanto-juvenil há apenas um em Maceió e o processo de ampliação está em fase de discussão.

Já o Berto Gonçalo, que representa o segmento na Sesau, salientou a necessidade de rediscutir junto ao Cosems na Comissão Intergestores Regional (CIR) a Rede de Atenção Psicossocial do Estado. Gonçalo disse que a meta para o primeiro semestre de 2018 é promover o I Seminário Infantojuvenil ; formar Grupos de Trabalhos Regionais para discutir a política de saúde mental não só para adultos mas para o público infanto-juvenil.

O assessor técnico da Saúde Mental para Alagoas do Ministério da Saúde, Cláudio Barreiros, afirmou que Alagoas ? dentre os Estados do Nordeste ? tem boa cobertura, mas precisa aprimorar a qualidade do cuidado, prática e planejamento de ações intersetoriais. "O profissional de saúde tem papel importante na discussão da Política Nacional de Saúde Mental, uma vez que o assunto representa interesses históricos e não particulares de gestão e está respaldado por princípios e lógicas internacionais", afirmou Barreiros, acrescentando que o debate deste evento deve refletir na mudança de práticas cotidianas dos profissionais que trabalham com o segmento.

 

 

 

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